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Centrais e CNI discutem medidas para evitar demissões durante isolamento

Sindicalistas e representante das indústria debateram medidas em reunião virtual ontem. Senai fará manutenção de respiradores

 

"Nesse momento delicado, precisamos apoiar autoridades sanitárias", diz Sérgio Nobre, da CUT

 

Depois de reunião virtual com dirigentes de centrais sindicais, ontem (29), o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, pediu “equilíbrio” no atual momento até a saída da crise. “Precisamos ter o equilíbrio necessário para retomar a atividade em alguns meses. Tem de procurar evitar a demissão. Até porque a demissão traria consequências posteriores”, afirmou o executivo por meio de redes sociais.

As centrais sindicais vêm procurando autoridades e entidades para discutir saídas para a crise. Dirigentes já se reuniram com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. Na semana passada, a Câmara aprovou o pagamento de um auxílio emergencial – o projeto deverá ser votado ainda hoje (30) pelo Senado.

A CNI divulgou pesquisa segundo a qual 70% das empresas destacam a queda no faturamento como um dos principais impactos da crise. Quase metade (49%) fala em cancelamento de pedidos e um terço, em queda na produção, enquanto 41% paralisaram atividades.

Em relação a medidas com a mão de obra, 58% das empresas disseram ter adotado o sistema de home office para uma parte dos empregados, 46% afastaram funcionários com sintomas e 47% deram férias também para uma parcela dos trabalhadores. A maioria, 73%, informou enfrentar uma situação “difícil” ou “muito difícil” para pagamentos de rotina, como tributos, fornecedores, salários, energia elétrica e aluguel.

 

Vida, emprego e produção

O presidente da CUT, Sérgio Nobre, considerou importante o resultado da reunião. “A pauta é a preservação do emprego, a manutenção da vida e a preservação do nosso sistema produtivo”, afirmou, em vídeo. “Houve um grande consenso de que a política de isolamento é muito importante de ser mantida”, lembrou o dirigente, acrescentando que existe previsão de avanço da contaminação nas próximas duas semanas, o que reforça o apelo para que as pessoas permaneçam em casa.

“Acordou-se também que a preservação dos empregos enquanto durar essa crise é fundamental”, disse ainda o presidente da CUT. Segundo ele, a CNI vai orientar os sindicatos filiados a não tomar nenhuma decisão sem negociação prévia com os representantes dos trabalhadores.

O presidente da CUT voltou a pedir união de esforços. “Nesse momento tão delicado, precisamos apoiar as autoridades sanitárias”, afirmou, lembrando que vários sindicatos já ofereceram sua estrutura, como clubes de campo e quadras, para atendimento à população, se necessário. 

“Temos muita preocupação com os moradores em condição de rua. Sindicatos podem ser pontos de coleta de alimentos e produtos de limpeza”, afirmou Sérgio Nobre. “O mais importante é manter a população informada. Ao contrário da orientação desse irresponsável desse Bolsonaro, que é o principal empecilho neste momento ao combate ao coronavírus. Uma vergonha o que ele está fazendo”, criticou.

 

Senai

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e 10 indústrias anunciaram uma união para fazer manutenção de respiradores mecânicos atualmente sem uso, para ajudar no tratamento de pacientes. “A rede voluntária conta com 25 pontos de manutenção, a partir desta segunda, em 10 unidades do Senai e 15 fábricas das seguintes empresas: ArcerlorMittal, Fiat Chrysler Automóveis, Ford, General Motors, Honda, Jaguar Land Rover, Renault, Scania, Toyota e Vale.

“Esta é uma agenda extremamente importante dado o cronograma crítico da covid-19 e a necessidade determinante de ter o maior número de equipamentos com prontidão, em funcionamento”, diz o diretor-geral do Serviço, Rafael Lucchesi.

 

 

RBA, 31 de março de 2020